30 de mar de 2017

Suas Últimas Palavras

REF. Várias passagens dos 4 Evangelistas

A Bíblia é o livro mais lido. Nela encontramos a narração da história, de guerras e exílios de uma nação e finalmente a aceitação de um só Deus pelo ser humano. As palavras pronunciadas por Cristo são as mais reverenciadas em toda a Bíblia. Se buscamos em Seus ensinamentos um sentido interno, nosso esforço é recompensado. Neles encontramos a solução para todos os problemas, o bálsamo para todos os sofrimentos dos quais é herdeira a carne, o homem mortal.

Recordemos Suas últimas palavras como estão gravadas no Novo Testamento, para que possamos comprrender a grandeza de Seu sacrifício. Ele as pronunciou depois da Crucifixão. Morreu pelos pecados de toda a humanidade passando por todas as amarguras que cada ser humano tem que passar, antes que o dia de sua ressurreição pudesse ser uma realidade.

Se Cristo não houvesse sido crucificado no Gólgota, não teria havido um Cristo Ressucitado na bendita manhã da Páscoa. Ele se capacitou para ser o Mestre, guia e ideal da humanidade; o único mediador entre Deus e o homem, depois que bebeu até a última gota, do cálice da dor, e se identificou com cada grau do inferno, de trevas, no interior de cada ser humano. Por isso Ele é a Luz do mundo e trouxe a luz ao mundo e a cada ser individualmente.

Cada acontecimento de Sua preciosa vida, como cada relato da Bíblia, é suceptível de várias interpretações. Podemos pensar que Sua crucifixão simboliza a crucifixão que todo ser humano tem que fazer de sua natureza passional, antes que seu espírito imortal possa exclamar como Ele exclamou: "Consumatum Est" (está consumado).

O Grande Espírito Arcangélico veio à nossa terra desde um plano de luz, de liberdade e de amor submetendo-se compassivamente a todas as limitações para poder entender as lutas e sofrimentos do ser humano e poder ajudá-lo.

A Sexta-feira Santa é o dia mais ignominioso e obscuro do ano. Este dia nos revela quão a meudo o auxiliar inegoísta não é compreendido. Cristo não pode evitar a vileza da crucifixão que Lhe foi imposta pelos mesmos seres a quem veio salvar. Não obstante, Ele terminou Sua missão. Todo servidor leal da cruz será crucificado e coroado de espinhos também, antes que possa fazer resplandecer a luz nas trevas.

Todos conhecem o relato de Sua história como nos é narrada nos Evangelhos. Pilatos, o governador de Judeia, advertido pelo sonho de sua esposa, lavou as mãos dizendo: "Sou inocente do sangue deste justo". Porém os inimigos de Cristo, manifestando um sadismo sem paralelo, pediram que se libertasse a Barrabás e se crucificasse a Ele.

"Que seu sangue caia sobre nós e nossos filhos", responderam a Pilatos. Cristo foi crucificado no Gólgota, entre dois ladrões.

Suas primeiras palavras nos mostram a amorosa consideração que sempre teve para com a mãe de Jesus, e para com o Seu discípulo amado, João. Como em todas as ocasiões Ele se preocupava mais com a dor alheia do que com a sua própria dor:

"Mulher, eis aí o teu filho", disse à mãe e "Eis aí a tua mãe", Ele disse ao discípulo amado, ao vê-los parados em frente à cruz, transpassados de dor, sem poder fazer nada. Com sua infinita compaixão abrandou a dor de seus seres amados, ajudando-os e unindo-os ainda mais.

Durante sua missão na terra Ele havia enfatizado os laços do espírito; porém agora reconhecia a necessidade dos laços familiares. Se nos diz que João levou Maria para sua casa, e durante o decorrer do tempo ela contou a João muitas coisas acerca da vida do Mestre.

"Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem", nos diz Lucas que foi a segunda palavra. Muitos Sermões relacionados a estas palavras têm sido pregados, porém o significado delas até hoje é difícil de entender. A multidão sadista, obscecada elo desejo insano de vê-lo crucificado, certamente não sabia o que fazia. Dominados por um sentimento de violência, exigiam a morte do mais nobre personagem que já havia pisado a terra. Ao ver que se realizavam os seus desejos, só restava a Cristo orar por eles. Se dava conta do muito que o Pai teria que perdoar.

Cristo foi crucificado entre dois ladrões para que fosse completa sua degradação, obrigando-o a repartir a vergonha com eles. Os dois ladrões representavam as duas classes de seres humanos que então, como agora povoam a terra: aqueles que egoisticamente o criticam e diminuem tudo e aqueles que possuem melhor juízo. Um dos ladrões sabia que o homem pregado na cruz não era culpado como eles. Repreendeu a seu companheiro dizendo-lhe: "Não temes a Deus? Nós recebemos o castigo por nossos pecados, porém este homem nada fez". Sabemos quão pronto Cristo prometeu ao ladrão arrependido que estaria com Ele no Paraíso. Nisto podemos encontrar novas esperanças. Não importa a gravidade de nossas faltas, nem quão profundo hajamos descido no mal, temos a promessa "vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei". Tão logo reconheçamos nossos pecados e prometermos lutar para reformarmos e fazer restituições, Ele vem em nossa ajuda, da mesma forma em que ajudou ao ladrão arrependido na Cruz. "Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso".

No Evangelho de São Mateus encontramos a quarta palavra. Lemos que os que passavam o injuriavam. Também os sacerdotes, os escribas e anciãos mostravam uma satisfação de gente sem alma; "Se és filho de Deus, desce da cruz" Lhe diziam.

"Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?" clamou Cristo ao ver a degradação a que era arrastado o espírito no interior do ser humano. Pensava que talvez havia fracassado no esforço por elevar a humanidade a um nível mais alto de consciência. A Luz perdida para a humanidade, o fez lançar este grito. Cada vez que um ser humano cede à tentação, e cai nas garras de sua natureza inferior, distanciando-se de seu Eu superior, abandona a Cristo em seu interior, e ouve sua voz de desalento "Porque me desamparaste?"

Depois destes acontecimentos, conhecendo Cristo que sua mis­são havia terminado disse: "Tenho sede." Todo ser humano também tem que suportar, além das torturas mentais e emocionais, agonia das necessidades do corpo físico.

A obscurirdade sobre a terra era total. O véu do Templo se rasgou de alto a baixo, esse véu que os Espíritos de Raça haviam colocado para que os mistérios do Templo e do sacerdócio fossem sempre privilégio somente para alguns poucos escolhidos. Agora ficava aberto o caminho para Deus a todos os humildes sem intervenção do Templo nem dos seus sacerdotes. Foi então quando a figura torturada do Salvador lançou seu grito de triunfo: "Está consumado."

Os ensinamentos ocultos nos dizem que foi neste momento que a força de Cristo cobriu totalmente a terra iniciando milhões de seres humanos no caminho do amor e da boa vontade.

"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito." E tendo dito isto, Cristo expirou. Havia terminado Seu ministério no plano físico, mostrando-nos por meio de um grande sacrifício e seus sofrimentos externos, o caminho, para que todo aspirante sincero possa tomar sua cruz e seguí-Lo.

Na cruz encomendou seu espírito ao Pai. Depois de Ressurreição disse à Maria Madalena que subia ao Seu Pai e a nosso Pai.

Com os corações transbordantes de júbilo e gratidão, nos damos conta de que Ele nos mostrou o caminho e tornou possível que em cada manhã de Páscoa o Amor Divino se derrame sem limites sobre todos nós.

Como Cristos Ressuscitados cada um de nós se elevará eventual­mente quando termine sua Semana da Paixão.

Traduzido de uma lição da Sede Mundial e publicado na revista Serviço Rosacruz, julho, 1964

24 de dez de 2016

O Nascimento de Jesus (segundo Lucas, 2:1-7)

REF. Lucas cap. 2 - vers. 1 a 7. (*)

Mateus e Lucas são os dois evangelistas que narram o nascimento de Jesus. Lucas era médico e discípulo de Paulo. Escreveu seu evangelho em grego e tomou como base o que lhe contou Maria, sofrendo de outra parte, influência de Paulo. Mateus escreveu o seu em hebraico e dirigiu-o aos judeus, no esforço de convencê-los de que Jesus Cristo era realmente o Messias prometido.

O Cristianismo Esotérico (Filosofia Rosacruz) demonstra que os evangelhos são MÉTODOS DE INICIAÇÃO. Isto explica as aparentes contradições que existem entre eles, principalmente entre os sinóticos, que seguem um esquema semelhante de fatos da vida de Jesus.

O Evangelho de Lucas desenvolve uma linha mística. O evangelho de Mateus traça um método racional, voluntarioso. No evangelho de Lucas o nascimento de Jesus ocorre numa atmosfera de humildade, de simplicidade, longe de espectadores, de perseguições: numa simples estrebaria, o menino colocado numa manjedoura, a visita dos pobres pastores. Em Mateus Ele nasce em sua casa; recebe a visita dos Reis Magos que lhe trazem como presentes ouro, incenso e mirra. Herodes fica receoso de que seu trono passe ao novo Rei de Israel (das profecias) e manda matar as crianças belemitas. Em Lucas é sempre Maria (a imaginação, a intuição, o coração, o pólo feminino) que recebe as visitas e as ordens do Anjo. Em Mateus é José ( a vontade, a razão, a mente, o pólo masculino) que recebeu os avisos.

O fato de os evangelhos tomarem como base a vida de Jesus não quer dizer que sejam uma simples rememoração histórica. Na verdade, a biografia de Jesus oculta intencionalmente MEIOS ESOTÉRICOS de aprimoramento, para os Nove Mistérios Menores ou Nove Iniciações Menores.

Vejamos aqui uma interpretação para a narrativa de Lucas no  cap. 2: 1 a 7

A observação de Jesus é o primogênito não implica na necessidade de que posteriormente Maria viesse a ter outros filhos. O sentido é outro: Jesus era o Békor, isto é, o que pertencia a Deus e devia ser-Lhe consagrado desde o nascimento. Isto corresponde à explicação esotérica: primogênito é o iniciado que se livrou das limitações referentes ao passado (períodos de Saturno, Solar e Lunar e metade marciana do Período Terrestre); o que conscientizou as experiências passadas dos diversos graus de consciência e os incorporou como alma. Portanto, pertence a Deus, está livre para etapas superiores.

Lucas só fala na manjedoura. Mas a tradição cristã enriqueceu-lhe a narrativa com o pormenor lendário de que Jesus foi colocado entre um boi e um jumento. Essa tradição foi inspirada em Isaías: 1:3 e em Hebreus 3:2. “Serás conhecido no meio de dois animais”.

Interpretação Esotérica:

A estória do recenseamento é simbólica. Não era praxe romana a exigência de que os cidadãos se locomovessem para ser recenseados na cidade natal. Os romanos eram ótimos juristas e eminentemente práticos: não iriam arriscar-se a movimentações de grandes massas de povo que deviam controlar.

Na cidade de Belém havia uma escola iniciática de grande valor espiritual, mantida pelos essênios e tradicional no profetismo judaico. O significado etimológico de Belém é “casa de pão”, daquele pão transubstancial que o candidato à Iniciação deve formar com os grãos de trigo das oportunidades diárias de crescimento anímico, moendo-os, assando-os e formando o pábulo – o pão vivo – que cria e alimenta a alma.

José dirigir-se a Belém significa: através da razão, o candidato busca conscientemente seu objetivo espiritual na vida. José vai acompanhado de sua mulher Maria: o aspirante rosacruciano desenvolve o lado místico, paralelamente ao ocultista. Maria está grávida: o Aspirante está prenhe de realizações internas e próximo ao despertar iniciático. 

Depois vem o nascimento, a culminância do longo período de preparação, o amadurecimento da alma. E vem através de Maria (o lado Místico, a imaginação pura), pois a Iniciação é um preparo através do Corpo Vital, por meio de melhores hábitos, de serviço altruísta, de oração, de meditação, de retrospecção, etc., num campo interno. Só mais tarde atinge o intelecto. A igreja tomou o sentido do nascimento em Belém (casa do pão) como a hóstia, símbolo do corpo de Cristo (interno), na comunhão que se há de verificar dentro de nós.

Belém (casa do pão) era a cidade de Davi (o bem amado), isto é o santuário do amor feito homem, o corpo humano quando já espiritualizado.O retorno de José a Belém, cidade de seus antepassados é uma rememoração de vidas anteriores, um processo iniciático, uma revisão consciente e global do caminho evolutivo percorrido.

Neste santuário de amor, feito homem (o corpo espiritualizado) a Vontade iluminada (José) em união com a imaginação (Maria) geram Himmanuel (Deus conosco ou Deus em nós ou o Cristo Interno) pelo despertar do candidato à realidade divina interna (sem ostentação nem espectadores) em humilde isolamento. O estábulo é próprio para os animais, isto é, o encontro da consciência humana com sua realidade divina há de se dar no corpo material, no candidato ainda humano, com defeitos, embora com seus instintos já domesticados (o boi e o jumento)

A criança é o fruto espiritual. Foi deitada na manjedoura (mente concreta) onde as necessidades humanas (os animais) se alimentam (de idéias). Só então é que José (a Mente) vê Jesus: a mente vê descer à pequenez de sua percepção o espírito que se faz consciente.

Esta concepção é realmente virginal, porque só o espírito é que pode realizá-la em nós. Tomamos consciência de que já existe e de que é divinamente concebido. Evidentemente o nascimento só poderá realizar-se quando se completarem os dias, isto é, quando o amadurecimento interno tiver chegado a termo. Daí que sempre insistamos: “sê vigilante e esforça-se paciente e perseverante, sem prazos, sem impaciência, sem vistas aos frutos da colheita. Não pergunte em que ponto você e quanto falta ainda. Ele virá como um ladrão à noite inesperadamente: “quando o discípulo estiver preparado o mestre aparece”....
Fonte: Revista Serviço Rosacruz - edição especial de Natal, 1974

(*) Lucas: Cap.2: 1 a 7
E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse
(Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria).
E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
E subiu também José da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi),
A fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz.
E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

11 de out de 2016

As Crianças....esses mistérios

Ref.: Matheus, 19. 1-14 (vide gravura)

"As crianças -esses mistérios - sempre as temos entre nós e à nossa volta. Da maneira de solucionar esses mistérios vai depender do que possamos colher, como guardiões que somos delas. Não está acima da inteligência mediana a capacidade de erigir um horóscopo comum para leitura do caráter. Caráter é destino, e se conhecemos o caráter de uma criança podemos depositar, para nós mesmos, um grande tesouro no céu fortalecendo-lhe as boas tendências e ajudando-a com o exemplo e com regras, a enfraquecer o mal."

"Na opinião do autor, uma das maiores utilidades da astrologia consiste em determinasse o caráter das crianças e educá-las de modo a fortalecer seus pontos fracos e debilitar suas tendências para o mal. Na leitura do caráter, a astrologia é corretamente interpretada em por cento dos casos pelos astrólogos mais experientes, de modo que nenhum pai pode beneficiar mais seu filho do que encomendando seu horóscopo ou aprendendo a fazê-lo por si mesmo. Entretanto, enquanto aprende, pode solicitar a um amigo astrólogo que faça o horóscopo da criança."

Extraído de: Astrologia, seu alcance e limitações – por Max Heindel (veja aqui)

19 de jul de 2016

A Bíblia, a Poesia e a Música

Artigo extraído da obra citada na gravura acima. (Veja nota no final do texto)
Podemos não concordar com a Bíblia, temos todo o direito de opinar livremente. Todavia, lembremos que o maior médico da História da Humanidade, Paracelso, (Poderão ler o meu trabalho: PARACELSO E A COSMOBIOMEDICINA) em que vemos que dava bom uso a este livro; recordemos que o maior dramaturgo de todos os tempos, Shakespeare, também o tinha como uma das suas fontes de inspiração. Usava a famosa tradução de Genebra.

É certo que não existe uma única linha do Antigo Testamento, que o antigo hebreu tinha costume de não usar as vogais, como era escrito todo seguido; também é Verdade que faltam alguns livros que deviam ter sido incluídos; por outro lado, o Novo Testamento sofre de problemas semelhantes: o original do texto do evangelho de Mateus, escrito em aramaico, desapareceu; o que temos é a versão em grego. Assim, todo ele está escrito neste idioma que não usava pontuação. Por isso, os Oráculos, mormente o de Delfos, acertava sempre: a pontuação dava para os dois lados. Isso sucede, por exemplo, nas palavras proferidas por Cristo na Cruz, segundo a versão de Lucas que era médico: a versão da Igreja Católica tem: Em Verdade te digo: Hoje estarás Comigo no Paraíso. Ora esta pontuação está em contradição com as Suas palavras escritas por João no seu evangelho, após a ressurreição, no momento em que encontra Madalena, a discípula muito amada: Não me toques pois ainda não subi para Meu Pai.

Há textos que não usam a pontuação, o que está certo, em minha opinião; outros têm pontuação diferente. Para muitos a melhor versão será: Em verdade te digo, hoje; estarás Comigo no Paraíso.

Também os erros de tradução existem desde o começo, exemplo da tradução de célula por costela; como estão erradas as interpretações literais, quando o texto está pleno de alegorias astronómicas como nos casos de Sansão, Jacob, etc. Também, o número dos que se salvam, que surge no Apocalipse, 144 000, é cabalístico. Como sabemos, no alfabeto hebraico como no grego, cada letra corresponde a um número, revelando uma profunda união entre o som de cada letra e a matemática, a geometria. Logo, a Palavra ADM, Humanidade, é igual a A=1; D=4 e M= 40. Ficamos por aqui e vamos ao tema do meu trabalho, consciente que tudo está mais unido do que se pensa numa interpretação escolástica ou dogmática.

A cultura hebraica amava a poesia e a música. Aliás as antigas civilizações, quase todas, dedicavam-se, com mais ou menos profundidade, a estas duas artes, intimamente unidas.

No caso da cultura judaica, vejamos o que é relatado na Bíblia.

Jubal, descendente de Caim, este simboliza todos os que, ao longo da evolução, têm inclinações para as artes e ciências, foi “o pai de todos quantos tocam harpa e flauta.” Génesis, 4-21. Por sua vez, Cila teve um filho, Tubal-Caim, que foi o progenitor de todos os que “fabricavam instrumentos de cobre e ferro.”  4-22.

Quando Moisés conseguiu libertar o seu povo hebreu da escravatura no Egipto, abrindo passagem no Mar Vermelho, afastando as águas, para que ele passasse e logo de seguida foi cerrada, nela morrendo os egípcios com os seus cavalos, etc. Maria, a profetiza, irmã de Aarão, tomando um adufe e todas as mulheres a seguiram, cantando e dançando. Êxodo, 15-19.

Por sua vez Davi após a sua vitória sobre os filisteus é recebido com música e dança por todas as mulheres que tocavam tamborins e címbalos. I Samuel- 18-6.
Os Salmos são cânticos cheios de lirismo, de louvores a Deus, de hinos, verdadeiras obras-primas literárias, certamente criados por vários autores.

No Salmo 20, surge um Hino sobre a Libertação do cativeiro do povo no Egipto. O mestre do coro escolhe a melodia OS LAGARES. Certamente isto indica que o local seria onde o azeite é fabricado. E mais há frente manda que toquem o saltério, que façam vibrar os timbales, pulsai a melodiosa cítara e a lira e tocai a lambreta.

Em São Lucas, 1-46, eis a célebre MAGNIFICAT,  que o luterano J. S. Bach aproveitou para criar uma das suas famosas obras vocais, um cântico a Maria, mães de Jesus. Está composto em ré maior, BWV 243, para ser entoado e tocado nas vésperas do Natal em Leipzig, onde vivia. É uma magnífica obra que revela a sua elevada religiosidade de um cristão-rosacruz.

Quanto à poesia esta preenche uma boa parte da cultura do povo hebraico. Vemos o CÂNTICO DA FONTE, Números- 21-17, certamente ligado ao trabalho, junto a uma fonte, havia outros ligados às vindimas, à ceifa.

Nas festas dos casamentos, além dos cânticos, havia música e dança. No fundo um a íntima ligação entre a poesia lírica hebraica e a música.

Os Salmos são um manancial de canções, de cânticos, de hinos, em que a espiritualidade eleva até aos céus, até Deus.

Nota do autor sobre sua obra: A Música e a Poesia, Elos na Linguagem do Amor Universal
"Partindo de uma palestra que nos foi solicitada sob o tema: A ligação entre a Música e a Poesia, pela Editora Helvetia-Suíça-Brasileira, para proferir no 1º FESTIVAL DE LISBOA DE POESIA- NO AUDITÓRIO DO HOTEL HOLIDAY-INN-LISBOA, e face ao interesse que as pessoas demonstraram, decidi publicá-la após melhorar e aumentar o seu texto, introduzindo muitas fotografias ligadas a estas duas grandes áreas da cultura universal." 




Veja trechos de PARACELSO E A COSMOBIOMEDICINA aqui
Página do escritor Delmar Domingos de Carvalho
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9 de jul de 2016

O (Belo) Livro de Isaías

por Jonas Taucci
Acima, pintura “Isaías prediz o retorno do exílio do povo judeu”.
Obra de Maarten Van Heemskerk, (holandês - 1.498/1.574), óleo de 40cm x 49cm exposta no Frans Hals Museu, na cidade holandesa de Haarlen.

Isaías para muitos, foi o que mais profetizou sobre a vinda do Messias no Velho Testamento, seu livro merece ser lido pelo aspirante Rosacruz.

Possui pérolas de verdades cósmicas, onde a profecia da vinda de Cristo é descrita com detalhes.

Viveu por volta dos anos 765 a 681 AC, e uma das passagens bíblicas que talvez cause mais controvérsias e polemicas é a que consta em 40:22 do referido livro:

Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda para neles habitar.

Há várias outras traduções, onde palavra globo é substituída por:

Círculo do orbe
Disco terrestre
Círculo da terra
Redondeza da terra

Estudiosos sobre linguística da Bíblia afirmam que a palavra esfera também pode ser utilizada na tradução do citado capítulo de Isaías.

A forma da terra é assim descrita, séculos antes de Cristo (!).

Há ainda, traduções que simplesmente omitem (!) a passagem do formato de nosso planeta:

No mais alto dos céus ele se assenta, e os habitantes da terra parecem-lhe gafanhotos. Estende o céu como toldo, arma-o como tenda para morar.

Ao tempo das grandes navegações - Cristóvão Colombo, houve forte debate sobre a citação de Isaías e seu indicativo com a forma da Terra.

Como entender isto?

Primeiramente, informamos que não é o objetivo deste artigo polemizar traduções ou especular interpretações sobre esta citação de Isaías, mas sim TENTAR dar uma explicação à luz dos ENSINAMENTOS DA SABEDORIA OCIDENTAL.

TALVEZ a resposta venha no livro “Conceito Rosacruz do Cosmo”, onde Max Heindel (iniciado de 4º grau) faz uma explicação detalhada do Diagrama de número 02, Os Sete Mundos, abaixo reproduzido.
Observemos atentamente

O Mundo do Pensamento é dividido em:

Região do Pensamento Abstrato
Região do Pensamento Concreto

A Região do Pensamento Concreto, por sua vez, subdivide-se em 04 Regiões:

4) Forças Arquetípicas: Mente Humana. Foco através do qual se reflete o espírito na matéria.
3) Aérea: Arquétipos do desejo e da emoção.
2) Oceânica: Arquétipos da vitalidade universal.
1) Continental: Arquétipos da forma.

Max Heindel nos informa que “...os arquétipos das formas físicas – não importa a qual reino pertençam – encontram-se na sua subdivisão mais inferior, ou seja, na Região Continental...”

Provavelmente, Isaías possuía a faculdade de ter acesso a estas Regiões, daí ter relatado a forma de nosso planeta.

Ainda que a Terra não seja circular, esférica, disco, redonda etc. assemelha-se a geoide, que é a classificação cientifica dada à forma de nosso planeta.

Ressaltando também que suas profecias sobre a vinda de Cristo, com séculos de antecedência, são simplesmente impressionantes.

Isto reforça o fato das faculdades espirituais de Isaías, não nos esquecendo que seu belo e fascinante livro, inicia-se com a frase:  Visão de Isaias...

Novamente, fica a sugestão para que o aspirante rosacruz leia o citado livro.

A Bíblia foi dada ao mundo ocidental pelos Anjos do Destino que, estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos, exatamente o que necessitam para o seu desenvolvimento”. (Trecho do RITUAL ROSACRUZ DO SERVIÇO DO TEMPLO, oficiado em todos os centros do mundo, e nos lares daquelas pessoas que o desejarem).

Ritual Rosacruz do Serviço do Templo

4 de jun de 2016

A Obra do Aspirante Rosacruz

                                                                                                                   por Jonas Taucci
                Afresco: “O sermão da montanha” de Fra Angélico (Itália c.1387 – 1455)                           Museu de São Marcos Florença Itália

Através dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, sabemos que há uma grande diferenciação entre o Novo e o Velho Testamentos, no que diz respeito à evolução da humanidade.

São fases distintas, onde a vinda de Cristo divide estas referidas fases. 

Velho Testamento
Novo Testamento
Jeová
Cristo
Os Dez Mandamentos
O Sermão da Montanha
A Lei
O Amor
Corpo de Desejos
Corpo Vital

VELHO TESTAMENTO: Jeová. Prevalece o Espírito de Raça, a lei. O Senhor dos Exércitos. Os Dez Mandamentos, que - quase   invariavelmente - nos fala o que não devemos fazer. Trabalha o Corpo de Desejos.

NOVO TESTAMENTO: O Cristo, maior iniciado do Período Solar. Ensina o que devemos fazer. O Sermão da Montanha. O amor, perdão, auxílio ao semelhante, a bondade. Trabalha o Corpo Vital.

Vamos interpretar – à luz do Ensinamentos Rosacruzes - uma das Bem-Aventuranças, contida no Sermão da Montanha, tal como nos relata Mateus (05:08).

Este discípulo pregou por mais de quinze anos para a comunidade hebraica, sendo seu Evangelho o primeiro a ser escrito de acordo com pesquisadores da Bíblia. Faleceu perto de 72 DC na Etiópia, onde (muito) divulgou a sublime mensagem de Cristo.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Nosso (etéreo) átomo semente(1) está localizado no ventríloquo esquerdo do coração, e tudo o que vivenciamos – do nascimento à morte - nele está sendo gravado.

Sem pausa!

Uma vida consagrada à prestação amorosa de serviço, conjugada a um exercício de retrospecção, diário e bem realizado, evidentemente que irá – ainda que lentamente - transmutar nosso interno, tornando limpo nossos corações.

Aqui uma informação valiosa e importante; o exercício de retrospecção foi idealizado pelos IRMÃOS MAIORES DA ORDEM ROSACRUZ, e transmitido à Max Heindel, para que fosse divulgado à humanidade (livro Iniciação Antiga e Moderna, capítulo III – Sala Leste do Templo – A Mesa dos Pães da Proposição).

Vemos assim, a origem deste exercício.

O resultado destas (contínuas) práticas: SERVIÇO e exercício de retrospecção – paulatinamente - não será vermos Deus fora de nós, e sim o nascimento de nosso CRISTO INTERNO (a Divindade dentro de cada pessoa).

Um mundo interno irá descortinar-se!

Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus, mas quem faz o mal não tem visto a Deus. (3ª Epístola de João 01:11).

A repetição (nota chave do Corpo Vital) consciente, de bons atos, a bondade, acelerará este processo de Alquimia Interna; Max Heindel nos fala que a repetição é a nota chave do referido Corpo, e todo desenvolvimento interno parte dele.

Portanto, procurai com zelo os melhores dons...  (1ª Carta de Paulo aos Coríntios 12:31).

Sugerimos consultar as obras da Fraternidade Rosacruz e a revista Rays from the Rose Cross número 01 volume 96 de fevereiro - 2.004, para informações mais detalhadas.

Saiba Mais:

20 de mar de 2016

O Templo, Áries e a Obra

                                                                                                 por Jonas Taucci
Se nos limitamos a uma interpretação dos Evangelhos simplesmente pela letra mata”, e não pelo o espírito vivifica”, (Paulo em seu segundo livro aos Coríntios 03:06), pouco progresso espiritual alcançaremos. Obteremos conhecimento e não sabedoria.

Os Ensinamentos Rosacruzes nos informam que os quatro evangelhos, são quatro (veladas) fórmulas de iniciação, e que situações e personagens destes evangelhos, estão no íntimo de cada um de nós, num trabalho alquímico interno a ser realizado pelo aspirante rosacruz.

E, entrando no Templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam, dizendo-lhes: Está escrito; a minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores. E todos os dias ensinava no templo; mas os principais dos sacerdotes e os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo.(Lucas 19:45 a 47).

Muitas pinturas, gravuras e filmes cinematográficos, representam Cristo – de forma enérgica – expulsando os mercadores do Templo, e este seu comportamento, por vezes choca as pessoas. Evidente tratar-se de uma alegoria, e o aspirante rosacruz terá de transporta-la para o seu interior.

Vejamos

O TEMPLO: Representa nosso íntimo, interno, como bem diz Paulo em sua 1ª Carta aos Coríntios, 03:16: Não sabeis que vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?

EXPULSAR OS QUE VENDIAM E COMPRAVAM: O comércio interno que fazemos, barganhando e comercializando nosso Eu Superior (virtudes) com nosso Eu Inferior (mazelas); os conchavos com nossos erros. A justificativa (!) de nossas falhas.

A MINHA CASA É CASA DE ORAÇÃO: Aqui, entenda-se não apenas as orações mentais ou verbais que fazemos, mas sim uma vida consagrada a prestar auxílio – amorosamente – a nossos semelhantes; uma oração superlativa, com conotações Crísticas. A oração comportamental.

MAS VÓS FIZESTES DELA UM COVIL DE SALTEADORES. O (lamentável) prevalecer do Eu Inferior em nosso íntimo.

E TODOS OS DIAS ENSINAVA NO TEMPLO: Aqui uma relação maravilhosa com um trecho do Hino Rosacruz de Abertura: Falhando embora, vamos ver: a persistência há de vencer. E num crescendo gradual, o bem sublimará o mal. A persistência na bondade, habitando o Templo Interno de cada um de nós.

MAS OS PRINCIPAIS DOS SACERDOTES E OS ESCRIBAS, E OS PRINCIPAIS DO POVO PROCURAVAM MATÁ-LO.

Sacerdotes: Aqueles que serviam no templo. (Religião)
Escribas:  os alfabetizados, raríssimos à época. (Intelecto)
Principais do povo: Os títulos e cargos – todos - deste plano físico. 

Estas três classes são bem relatadas por Lucas!

Aqui uma clara admoestação – respectivamente -  sobre vaidade e orgulho; religioso e intelectual e também o apego a cargos meramente temporários desta vida. Tudo isto, contribui (e muito) para matar o Cristo, como diz Lucas, ou seja, esotericamente sufocar o Cristo Interno que habita em cada ser humano.

Vemos acima uma pintura de autoria de Giotto (c. 1267-1337), esta obra encontra-se na Capela de Scrovegni na cidade de Pádua, Itália. Chama-se Cristo expulsa os vendilhões do Templo”.

Uma simbologia – astrológica - interessante que aprendemos com os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, é a forma enérgica de Cristo nesta citação bíblica; e ela é encontrada na referida pintura.

Carneiros e cabras eram alguns dos animais levados ao Templo para serem sacrificados.

Energia é uma palavra basicamente relacionada à Marte (regente de Áries). Muito significativo que nesta pintura de Giotto, apareça o Carneiro (Áries), signo relacionado a Marte, numa alusão à direcionarmos nossa energia marciana – de uma forma alquímica - para expulsar de nosso Templo (interior) os vendilhões (nossas mazelas).

Eis a obra do aspirante Rosacruz!

Não mais sacrifícios externos, mas sim um sacrifício interno, o oferecimento de nosso EU SUPERIOR à serviço da humanidade; a bondade apregoada por Cristo.

Em 20 de março de 2.016, aproximadamente 01h31m (horário de Brasília), o Sol ingressa no signo de Áries; muito oportuno meditarmos sobre o texto acima durante a passagem do Sol por esta Divina Hierarquia Zodiacal, e principalmente nos empenharmos em realizar – ainda que lentamente – esta OBRA.

Toda outra ciência é prejudicial a quem não possui a ciência da bondade. (Montaigne,1533 – 1592 em Ensaios).