20 de mai de 2018

O Apóstolo em Cada Ser Humano



REF. Lucas 9:62
"E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus."

Para muita gente ainda contínua um mistério o significado real de a mulher de Lot ter se convertido em uma estátua de sal, após contemplar a destruição de Sodoma e Gomorra. É bom recordar que isso aconteceu porque ela olhou para trás, saudosa. ...

Segundo o Velho Testamento, as duas cidades celebrizaram-se como verdadeiros núcleos de licenciosidade. Eram, portanto, um centro de degeneração.

Encontramos aí um interessante simbolismo ou alegoria. Não se trata apenas de um relato bíblico. É algo muito mais profundo. Mais uma vez deparamos com a história do próprio homem, sempre às voltas com os desafios inerentes ao caminho do progresso espiritual.

Sodoma e Gomorra simbolizam o elemento que, por se corromper, perdeu a sua utilidade, e o seu lugar, dentro do processo evolutivo. A mulher de Lot representa aquele tipo humano incapaz de libertar-se de hábitos nocivos e ideias  ultrapassadas. Insensível a estágios ou vivências mais elevados, apega-se a estruturas bolorentas e enferrujadas, embora só possa sofrer prejuízos com essa resistência. Olhando para trás, demonstrou sua ligação com aqueles restos que se consumiam, ao invés de encetar uma nova busca.

É uma perfeita alegoria à cristalização.

O homem comum, é bom ressaltar, traz consigo uma tendência à acomodação. Se, do ponto de vista material, a vida que leva é relativamente "boa", opor-se-á tenazmente, a qualquer tipo de mudança, mesmo salutar à sua formação espiritual.
A acomodação, diante de qualquer análise, surge como algo pernicioso. No Universo tudo se encontra em constante movimento, sempre em direção a degraus superiores. A inércia, por ser contrária às leis naturais, gera reações às vezes violentas. O homem, por ser elemento integrante do contexto cósmico, não deixa de estar sujeito a essa lei.

As transformações constituem uma necessidade evolutiva. São uma manifestação da Lei de Deus, sempre objetivando abir mais amplos horizontes para a humanidade. O homem sofre porque resiste às transformações, insistindo em permanecer impenetrável aos raios da Luz Divina. Às vezes contempla a estrutura em que viveu durante multo tempo ruir fragorosamente. Mesmo assim, cede á tentação de olhar para trás observando demorada e nostalgicamente os escombros. É um indicador de sua cristalização. O curso da própria vida acabará por reintegrá-lo ao progresso. Isso, todavia, ocorre, quase sempre, à custa de muito sofrimento.
É importante "tomar do arado e não olhar para trás", como exortou o Cristo .

Conta-se que o conquistador romano Júlio César, quando aportou nas ilhas britânicas, ordenou a seus soldados que queimassem os navios. Assim, ninguém pensaria em voltar, recuando diante de um inimigo até então desconhecido.  Lutariam ou sucumbiriam.

A vida costuma encaminhar-nos  a situações complexas, em que o recuo se afigura impossível. Segurança interior, autoconfiança, fé, coragem, capacidade de adaptação, são testadas nessas ocasiões.

Temos que estar alertas e preparados para as mudanças. Elas acontecem quando menos esperamos.

Todos nós somos dotados de talentos, em maior ou menor grau de desenvolvimento. O uso desses dons determina nosso crescimento. Há ocasiões em que Deus requisita nossos préstimos em Sua Seara. Essa convocação divina pode implicar em mudanças, talvez até radicais, em nossas vidas. Atenderemos ao chamamento de nosso Divino Pai, ou continuaremos com a nossa já viciada rotina?
Não importa se somos inconscientes disso ou se nos encontramos acomodados, indiferentes ao sofrimento do mundo. Cedo ou tarde seremos chamados a servir. No Início talvez até resistamos. Mas chegará o momento da decisão, em que nossas existências tomarão outro rumo. Saulo era um ferrenho perseguidor dos cristãos. Na estrada de Damasco transformou-se: “Saulo, Saulo, por que me persegues? Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões." Saulo transformou-se em Paulo, assumindo uma nova realidade. Abandonou o invejável "status" de doutor da Lei. Teve a coragem de deixar os de seu credo. Renunciou suas amizades e suas posses, para abraçar as idéias do nazareno, um misto de blasfemo e impostor no entender dos fariseus.

É preciso, entretanto, una férrea disposição para atravessar as agruras dessa fase de transição. Incompreendido, injustiçado, vilipendiado até, o aspirante há de perseverar. Terá muita luta pela frente, sem dúvida. Mas a crueza da porfia não deve abatê-lo. É duramente provado. Cai. Ergue-se. Fracassa novamente. Anima-se de esperança. Aflige·se mortalmente com a decepção. Ascende mais uma vez. Na experiência renova-se. O mundo dele necessita. O Cristo necessita dele. Deus nele habita. Não há razão para temores. Vive na fonte do eterno Bem.

O caminho do apostolado é assim mesmo. Exige mudanças, Crucifica o eu inferior. É como o campanário de uma igreja: largo na base, estreitando-se à medida que sobe. No cume só resta a cruz. Não se pode olhar para baixo, para trás. Só resta subir sempre...
De um editorial da revista Serviço Rosacruz, agosto de 1978

1 de abr de 2018

SOBRE O (possível) FRACASSO DO LIVRO “CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”

por Jonas Taucci

Então Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: O Reino dos Céus é como um rei que preparou as bodas do seu filho. E mandou os seus empregados chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. O rei mandou outros empregados, dizendo: Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para às bodas! Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. Em seguida, o rei disse aos empregados: As bodas estão preparadas, mas os convidados não foram dignos dela. Portanto, ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes. Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a festa nupcial ficou cheia de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados observou ali um homem que não estava usando traje de bodas e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem o traje de bodas? Mas o homem nada respondeu. Então o rei disse aos que serviam: Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos. (Evangelho de Mateus – 22: 01 a 14)

Recordo-me de não haver muitas pessoas naquele restaurante vegetariano, final dos anos 80. Esta prática alimentar não estava tão difundida como hoje (TV, rádio, revistas, jornais, livros, comércio, redes sociais, artistas divulgando...).

Após a refeição, pedi as sobremesas; acompanhava-me o irmão probacionista José Gonçalves Siqueira. Falávamos sobre uma recente palestra minha, realizada no Centro Rosacruz de Santo André, com respeito a passagem bíblica acima, onde resumidamente, e à luz dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, foi exposto:

1) REI – O Deus de nosso Sistema Solar.

2) FILHO – Cristo, o maior iniciado do Período Solar.

3) BODAS – O segundo advento de Cristo.

4) SERVOS – Ensinamentos Crísticos.

5) CONVITE A TODOS – A iniciação aberta a todos.

6) MORTE DOS SERVOS – Os que não aceitam a sequência do processo de evolução e “matam” os servos (recusam-se a receber o convite às bodas).

7) TRAJE – O Corpo Alma, que nos possibilitará este encontro com Cristo nos ares.

8) CHORO, RANGER DE DENTES E ESCURIDÃO – Os que não desenvolverem o Corpo Alma, e irão se atrasar na jornada evolutiva.

O irmão Siqueira elogiou minha palestra, mas disse:
- Você esqueceu de algo importante:

Suspendi a respiração por alguns instantes.

- Esta parábola - continuou meu amigo - Cristo direciona também à duas classes específicas, como informa o capítulo precedente de Mateus (21: 23 a 46), a saber

***SUMOS SACERDOTES.  Em hebraico Kohen Gadol. O mais alto posto religioso; coordenava os ofícios religiosos e sacrifícios no tabernáculo e posteriormente no Templo em Jerusalém. Para ocupar este cargo era necessário pertencer a linhagem de Levi, estudar horas por dia, dias por semana, durante anos.

*** ANCIÃOS DO POVO. Em hebraico Zaqén. Eram os representantes do povo para decisões religiosas, e com o passar do tempo, decisões políticas também.

E continuou:

- Unicamente nos acomodarmos em estudos, posições hierárquicas, cargos, frequências físicas, nos (diversos) meios espiritualistas, não nos fará – de forma alguma - tecer o Traje de Bodas; esta parábola foi a mensagem de Cristo (também) aos Sumos Sacerdotes e os Anciãos do Povo, na verdade, tipos comportamentais. Há que se praticar os preceitos Crísticos!

E concluiu:

- Max Heindel considerou um possível fracasso o livro Conceito Rosacruz do Cosmos, ao escrever em sua Carta aos Estudantes #16:

Alguns só se interessam pela concepção intelectual, e, a menos que o livro dê ao estudante um desejo fervoroso de transcender o caminho do conhecimento e prosseguir pelo caminho da devoção, em minha opinião, esse livro será um fracasso”.

Lembrei que o caminho rumo ao probacionismo, inicia-se pelo Curso Preliminar, cuja fonte é o Conceito Rosacruz do Cosmos.

Fica evidente que esta colocação do Sr. Heindel (fracasso), não está relacionada em termos de divulgação, vendagem, visitas, “curtidas” ou consultas, haja visto que o referido livro está traduzido (física e virtual) para os principais idiomas do mundo, de forma gratuita.

O sucesso (ou não) desta obra, é individual a cada ser humano.

Ressaltando ainda que este “traje de bodas”, citado na parábola acima, está contido no sagrado símbolo rosacruz, e descrito como consegui-lo, no Ritual de Cura (...a estrela dourada simboliza o dourado manto nupcial tecido através de uma vida pura).

Vai a sugestão para leitura, o livro Como conheceremos Cristo quando ele voltar”, (baixe aqui)  de Max Heindel. Obra centrada no “traje de bodas”.

As saladas de frutas vieram, mas para mim a verdadeira (e deliciosa) sobremesa, foi o complemento da palestra, oferecido pelo irmão José Gonçalves Siqueira... (veja aqui, biografia de José Gonçalves Siqueira)

OUTRAS SUGESTÕES DE CONSULTA:

Nosso interior: para detectar os “Sumo Sacerdotes” e “Anciões do Povo”.
Livros de Max Heindel:
-  Conceito Rosacruz do Cosmos: Diagramas 02, 06, 14 e capítulo XV.
-  Filosofia Rosacruz em P&R / Volume II / Pergunta # 133.
-  Cartas aos Estudantes # 16.
Bíblia: Novo Testamento, Evangelho de: - Mateus 21: 23 a 46. e Mateus 22: 01 a 14.

21 de jan de 2018

A Circuncisão - Uma Interpretação

"A Apresentação no Templo", Philippe de Champaigne, 1648

REF. Lucas 2:21-24

"E, quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.
E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor
(Segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o macho primogênito será consagrado ao Senhor);
E para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: Um par de rolas ou dois 
pombinhos.” 

Com relação a circuncisão no oitavo dia, citado por Lucas, encontramos a referência no Gen. 17:12, 21:4 e Lev. 12:3.

A frase “como fora chamado pelo Anjo, antes de ser concebido no ventre de sua mãe” é uma prova do renascimento. Ou seja: “antes” já existia, já tinha nome. Essa existência anterior pertence a todos nós, pois Jesus é apenas o nosso irmão mais velho, “o primogênito entre muitos irmãos” (Rom. 8:29)

Segundo Lev. 12:2-5 as mães deviam apresentar o primeiro filho do sexo masculino ao templo, 40 dias após o parto. Se o filho era primogênito (bekor) a mãe deveria levá-lo pessoalmente, apresentá-lo e consagrá-lo a Deus. (Ex. 13:2-12). Entretanto como os da tribo de Levi é que tinham função sacerdotal oficial (Num 3:12-13), os primogênitos de outras tribos eram “resgatados” com a oferta de cinco ciclos de prata (Num 18 15-16). Sendo Jesus da tribo de Judá, fez Maria a oferta legal por ele, isentando-o do sacrifício oficial.

Em vista disso Lucas não distingue as duas cerimônias: a purificação de Maria e a consagração de Jesus, mas engloba-as numa só palavra: o resgate deles.

Segundo a citação feita por Lucas do Ex.:13:2 e 12, onde se lê textualmente: “todo macho que abrir a vulva será chamado santo para o Senhor”, vê-se claramente que o nascimento de Jesus foi normal, não havendo virgindade física durante ou depois do parto como desejam alguns. Se os fatos tivessem sido anormais, Maria estaria dispensada da Lei.

Para sua purificação Maria ofereceu um sacrifício (Lev 12:8) de um casal de rolinhas ou de dois pombos jovens (borrachos) que se permitia aos pobres, para substituir o cordeiro, o qual não poderiam comprar.

Todos aqueles que realizaram as bodas místicas internas da natureza humana com a divina, põem-se a serviço de Deus e, portanto, devem circuncidar-se, ou cortar ao redor de si todos os apegos, para que tenham como se não tivessem; possuam sem ser possuídos; usem como por empréstimo; utilizem tudo como administradores dos talentos divinos, recordando-se de que “nada trouxemos para esse mundo, e sem dúvida, nada dele poderemos levar”. (ITim, 6:7).

Renúncia de coração para servir-se das coisas e com elas servir aos outros, com desapego a recompensas, a gratidão e a retribuições quaisquer. Esta é a “circuncisão interna” que todos devemos cultivar. Ela inclui o desapego até mesmo de ideias e concepções quanto aos laços sanguíneos, aos afetos e semelhantes, para que apenas o puro amor que o Divino verte de Si possa permanecer como manifestação natural. Este desapego (circuncisão) é inevitável quando, pelo encontro com o Eu superior, adentramos o Templo interno, contrastando a realidade divina interna com a transitoriedade material externa.

Mas esse desapego não é levado a termo enquanto não se faz a purificação da personalidade. E para isso devemos esperar 40 dias. (“quarenta dias” é simbólico - pode significar anos e até vidas). Para o candidato que já chegou ao encontro com o divino interno, a tarefa é mais fácil. Realmente o nascimento do primogênito (Bekor), consagrado a Deus requer o mergulho nas vidas anteriores conscientizando todas as experiências adquiridas desde o início da peregrinação evolutiva até a conquista da mente (passando pelos estados de consciência mineral, vegetal e animal). Corresponde à quinta iniciação menor e nos põe acima dos opostos de simpatia e antipatia; em suma, em ligação igual com todos os seres.

Uma vê purificados os veículos denso, etérico, de desejos e mental, apresentamo-nos ao Templo, ao Cristo Interno, como oferenda, submissão e consagração para o SERVIÇO. Esta cerimônia é simbolizada pela oferta de um cordeiro (ou de pombas como vimos no evangelho de Lucas). Isto demonstra que a graça do “encontro” pressupõe o sacrifício da parte animal, ou melhor da entrega da parte animal já purificada.

Daí em diante só o espírito prevalece,. Como disse São Paulo: “Não mais eu quem vive, mas o Cristo em mim”. O corpo se converte em alegre vivenda porque não representa mais uma prisão; e a vida passa a ser uma SEARA.

                                                  Publicado na revista Serviço Rosacruz, de  janeiro de  1976

2 de nov de 2017

Sobre os (dois) Dias Mais Importantes De Nossas Vidas

por Jonas Taucci
Vemos acima, a pintura “Cristo e o centurião”. Do pintor italiano Paolo Veronesi (Verona, 1.528-1.588), que se encontra no Museu Nelson Atkins da Arte, cidade de Kansas, estado do Missouri (EUA), feita por volta do ano de 1.575.
Esta pintura refere-se ao evangelho de Mateus (08:05 a 13):

E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, e lhe rogando disse: Senhor, o meu criando jaz em casa paralítico e violentamente atormentado, E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo de meu telhado, mas dize somente uma palavra, e meu criado será curado. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai e ele vai; e digo a outro; Vem, e ele vem: e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz., E se maravilhou Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo, que nem mesmo em toda Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abrão, Isaque e Jacó no reino dos céus, e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes. E então disse Jesus ao Centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado ficou curado. 

Antes das considerações à luz dos Ensinamentos Rosacruzes, seria oportuno tomarmos conhecimento de certos aspectos históricos importantíssimos desta passagem bíblica;

***Centurião (oficial militar do exército romano, responsável por comandar uma centúria: parte importante de uma legião).

***Roma, a senhora do mundo no 1º século D.C.(à época de Cristo os exércitos romanos ocupavam parte da Europa, África e Oriente, estendendo-se às terras por onde Cristo viveu e pregou).

***Religiões praticadas pelo Império Romano (consideradas pagãs pelos primeiros cristãos).

***Os invasores (assim eram chamados os romanos, havendo várias revoltas para sua expulsão nas regiões ocupadas).

Estas palavras de Cristo: Nem mesmo em toda Israel encontrei tanta fé”, intriga a dois milênios os teólogos cristãos, pois a fé encontrada por Cristo - fica evidente - veio de um centurião romano, consequentemente:

*** Um invasor.

*** Uma pessoa pagã.

***A fé do centurião que (segundo Cristo!), supera mesmo a dos discípulos, seguidores e frequentadores do Templo.

***De alguém, originalmente “fora” do círculo religioso de onde Cristo pregava.
*** Resumindo: um “estrangeiro pagão” em “terras santas(Israel).

Mas, Cristo não deu a mínima importância a tudo isto

Identificou o mais importante: a preocupação do centurião com seu semelhante, e sua enorme fé.

Não há nada – em todo o universo – superior a isso!

Fazer parte de uma religião, doutrina, seita ou filosofia, “estar neste meio, sem a devida utilização e prática do que (apenas...) aprendemos à serviço dos desassistidos, incorre numa enorme ilusão e para nós – aspirantes rosacruzes - no total menosprezo ao nosso Cristo Interno.

Nossa (tão somente) filiação à Fraternidade Rosacruz e nos tornarmos (tão somente) probacionistas não será garantia de um desenvolvimento interno.

São muitos os que estudam somente para seu próprio benefício e não cultivam a fraternidade para com os demais. Sem dúvida, é o serviço que executamos e a sinceridade com que praticamos os ensinamentos que nos tornam, para o mundo, exemplos vivos desse amor fraternal, a qual Cristo se referiu como sendo a realização de todos os mandamentos). Max Heindel, Carta aos Estudantes # 03.

A palavra probacionista (1) deriva do latim probo (muito utilizada em literatura jurídica) que significa honesto. O verbo probare refere-se a agir com honestidade, retidão.

Na Fraternidade Rosacruz, a palavra probacionista também está associada com as provas” pelas quais o aspirante encontra em sua jornada na senda do caminho Crístico, contudo estas provas não serão de forma alguma:

*** Escrita, de múltipla escolha.

*** Chamada oral; avaliação de conhecimentos.

*** Redação sobre algum tema sobre os Ensinamentos Rosacruzes.

*** Cálculos perfeitos de configurações astrológicas.

Serão provas comportamentais (nosso probare de cada dia), e das mais sutis que possamos imaginar, onde nossos atos (ou omissões) com nossos irmãos, irá determinar o grau de amadurecimento interno.

O florescimento de nossas sete rosas internas, muito estudado pelo aspirante rosacruz, constitui-se numa obra alquímica paradoxal:

- Impossível alguém fazer isto por nós; trata-se de um trabalho individual.
- Impossível realiza-la sem nos relacionarmos com nossos semelhantes.

Mark Twain (1.835-1.910) escritor americano, nos deixou esta bela frase:

(01) Sobre o Probacionismo: O Caminho Rosacruz compreende sete etapas de desenvolvimento: Estudante Preliminar, Estudante Regular, Probacionista, Discípulo, Irmão Leigo, Adepto e Irmão Maior. A superação de cada um desses estágios corresponde a uma verdadeira Transfiguração.

Durante as primeiras etapas, de Estudante a Probacionista, o Aspirante cursa as matérias básicas e edifica os fundamentos da sabedoria e da disciplina de seus Corpos. Assimilando o valor educativo dos ensinamentos Rosacruzes, adquire a capacidade de direcionar suas energias e talentos a propósitos cada vez mais elevados. Consciente de seus deveres morais e espirituais, procura dominar as forças obscuras de sua vida inferior, até conhecer os primeiros vislumbres da expansão do Eu.

Muitos anos e, às vezes, vidas de trabalho, de sacrifícios e esmorecimentos, de coragem e desânimo, de quedas e levantamentos, de regozijo e desespero, marcam essa fase preparatória. Há momentos de ofuscante luz que sucedem densas trevas, em ciclos de aprendizagem.

Mas, todos os esforços e o progresso obtido são observados desde os Mundos invisíveis pelos exaltados Guias. Um dia, os vislumbres convertem-se em viva realidade, os obscuros contornos da visão de probacionista, adquirem a nitidez do discípulo. Surge um ser humano novo em novidade de espírito.

As obras da carne, os zelos excessivos, o amor próprio, a vaidade, o espírito sectarista, ontem propriedades características do ser humano primário, desvanecem-se aos poucos.
Não imaginemos, contudo, que atingido o grau de discípulo, o novo ser humano entra num período de contemplação estática e absorvente. Pelo contrário, os poderes da ação e do trabalho estão presentes e mais atuantes do que nunca. Seu pensamento permanece ocupado às vinte e quatro horas do dia, com "tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, santo, amável e de boa fama" (Filipenses 4-8).

É um novo ser desabrochando. Seus familiares e amigos sentem a força propulsora de sua vontade na dedicação às causas justas e nobres. Beneficiam-se desses esforços admiráveis, dispendidos a custa de, não raro, verdadeiros holocaustos e da extrema renúncia aos frutos do êxito.

Que poderemos, agora, imaginar das três etapas superiores: Irmão Leigo, Adepto e Irmão Maior? Iluminados nas transcendentes alturas do Bem, do Belo e do Verdadeiro, são inconcebíveis as vivências e sublimidades de seus Espíritos. Max Heindel nos deixa antever algo da fecundidade de suas vidas: "Os Irmãos Leigos vivem em diferentes partes do mundo ocidental, recebendo uma ou mais Iniciações nas Escolas de Mistérios Menores". São capazes de abandonar o Corpo Físico conscientemente, para assistir ou participar dos trabalhos no Templo da Ordem Rosacruz. Os Adeptos são graduados de uma Escola de Mistérios Menores, e passaram pela primeira das quatro grandes Iniciações. Segundo os ensinamentos Rosacruzes, o Adepto pode construir novos Corpos físicos por processos ocultos de alquimia espiritual.

Os Irmãos Maiores são graduados das Escolas de Mistérios Menores, e também dos Mistérios Maiores.

É um íngreme caminho a ser percorrido, porém, não há outro mais dignificante. O sofrimento pode vir a ser um companheiro constante nessa gloriosa ascese, surgindo, não obstante, como o prenúncio da morte do velho ser humano.

Max Heindel afirma em sua obra INICIAÇÃO ANTIGA E MODERNA: "O ser humano passa, continuamente, por um processo de purificação, erradicador das substâncias mais inferiores e grosseiras que fazem parte de seus veículos. Com o tempo e mediante a evolução, esse trabalho de espiritualização tornará "nossa carne" transparente e radiante. Radiante como o rosto de Moisés, o corpo de Buda e o Cristo na Transfiguração". (Editorial da revista “Serviço Rosacruz” de outubro – 1.982 da Fraternidade Rosacruz de São Paulo).

30 de set de 2017

A Criação da Eva de Uma Costela de Adão - Um Grande Erro de Tradução

por Delmar Domingos de Carvalho
Errar é próprio do ser humano.

Infalível somente o Absoluto…

Como se sabe, ou se deve saber, não existe nenhuma linha do texto original do Antigo Testamento.

Por isso, a colocação de uma vogal no texto hebraico, consonantal, pode originar erros mais ou menos graves.

Este é um dos casos.

Max Heindel em algumas das suas obras esclarece este assunto com a sua Luz profunda.

Também, no Curso da Bíblia administrado pela THE ROSICRUCIAN FELLOWSHIP DE MAX HEINDEL, é ensinado que a palavra tsela deve ser traduzida por “ lado”.

Considera “ grotesca” o modo de realizar a separação dos sexos, tanto nas versões bíblicas como no texto massorético.

Os seres humanos eram hermafroditas, afirma, sendo necessário a divisão dos sexos por motivos evolutivos.

No início do embrião humano é ainda bissexual, como era o ser humano primitivo.

A divisão sucedeu na Época Lemúrica, do misterioso continente Um, há mais ou menos dez milhões de anos. Seguiu-se a Época Atlante, cujo continente ficou submergido por vários dilúvios, e a actual Época, a Ária, que terá começado há cerca de um milhão de anos.

Padre António Vieira, num dos seus sermões, esclareceu que Eva foi criada do “ lado”, para que ambos, mulher e homem, se amassem, cooperando sem que houvesse hegemonia de um perante o outro. Se fosse criada da cabeça, nesse caso, estaria tentada a mandar no homem; ao invés, se saísse dos pés, então o homem ficaria com a inclinação para a escravizar. Portanto, foi criada do lado, do coração, para que o amor os unisse.

Lembremos que Fernando Pessoa considerou Viera como um Adepto, alto iniciado, no caminho da Rosacruz até à libertação final da matéria.

Por sua vez, o nosso grande Amigo, como dos nossos filhos, e Mestre, Francisco Marques Rodrigues, ensinou-nos que a tradução correcta deve ser a divisão da “célula,” que era bissexual, hermafrodita, passando a ser separada, dividida em sexo feminino e masculino.


Finalmente, há opiniões científicas, designadamente, na Engenharia Genética, que considera como as primeiras grandiosas experiências genéticas. Neste acto divino consideram que temos a clonagem humana!

CABALA
Na numerologia judaica a palavra EVA tem o valor de 19=1+9=10=1=UNIDADE.
Por isso, a Eva encerra a União, a Harmonia, numa ligação a Vénus-Úrano.
Significa um Ser que vivifica, que existe.

9 de set de 2017

O Senso de Valor

"A Parábola dos Talentos", século XVII. Willem de Poorter
REF. várias passagens

"O Senhor, contudo, disse a Samuel: "Não considere sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração" (I Samuel, 16:7).

A passagem citada, do Velho Testamento, foi extraída do trecho em que Jeová manda Samuel escolher seu sucessor entre os sete filhos de Jessé. Samuel julgava que o eleito seria dos mais fortes e de mais belo parecer. No entanto, foi escolhido David, rapazito ainda, que logo depois prostrou o gigante Golias com uma pedra atirada por uma funda.

Eis um belo tema de meditação. Influenciados, a todo passo, pelas opiniões da sociedade materialista em que vivemos, somos levados a avaliar as coisas segundo suas aparências, quando Deus nos solicita buscar os valores internos.

Na antiga Grécia o conceito de elite era mais correto. Os realmente mais sábios e virtuosos pontilhavam na vida política, científica, artística e social. Sabemos que Xantipa, esposa de Sócrates, tinha violentas discussões com o sábio, porque ele trazia fama e não dinheiro para casa. Ainda hoje existem pessoas de grande valor, em todos os campos, que mal ganham para suas necessidades. Poucos são os que se guindam na opinião pública, como Einstein e Schweitzer (Albert Schweitzer foi um teólogo, músico, filósofo e médico alemão; foi laureado em 1952 com o Prêmio Nobel da Paz, como humilde homenagem a um "grande homem").

Heróis anônimos, aos milhares, estão por aí, participando da elite de Deus, mas, não da dos seres humanos. Todos os dias vemos falsos destaques serem agraciados por falsas honrarias. E, como dizem os Evangelhos: "quem já recebeu seu galardão dos seres humanos, nada tem a receber de Deus" (Mt 6; 2).

Não podemos negar que o simples fato de um indivíduo se diplomar médico, engenheiro, etc., pressupõe esforço e mérito individual; que para chegar a determinado posto deve ter provado o desenvolvimento de qualidades incomuns, a menos que se haja guindado por apadrinhamento. Mas não basta isso. A conquista de maiores faculdades ou bens sejam quais forem suas naturezas, se de um lado acarreta mérito individual, de outro lado atrai maiores responsabilidades, porque "a quem muito foi dado, muito lhe será exigido" (Lc 12; 48). O uso que fará então, das faculdades ou bens que conquistou é que provará seu verdadeiro valor perante Deus. "De que vale ganhar o mundo e perder sua alma? " (Mc 8; 36).

O abuso de autoridade, faculdades e propriedade tem trazido muito sofrimento à humanidade. Somos apenas despenseiros dos bens que o Senhor põe a nossa disposição. Veja-se na parábola dos talentos (Mt 25; 20-25) em que o Senhor "deu mais ao que multiplicou seus talentos e tirou o único que tinha dado ao que, por medo de perdê-lo, o havia enterrado". A Fama, o Poder, o Dinheiro e o Amor são os meios mais usados atualmente pelos Senhores do Destino para adiantar a evolução humana. Por um deles somos capazes dos maiores sacrifícios, vidas inteiras. Mas quem é capaz de renunciar a si mesmo e servir os demais com o mesmo entusiasmo?

Sem exigir tanto, quantas pessoas se dedicam diariamente à prática de virtudes cristãs, pelo menos duas horas? Ou quem ora sinceramente meia hora por dia? 

- Não tenho tempo! – é o que ouvimos constantemente. E lembramo-nos daquela passagem: "onde está o teu tesouro, ali está o teu coração" (Mt 6; 21).

Sabendo isso e não exigindo mais do que podem dar os seres humanos, os Senhores do Destino lhes apresentam os incentivos: da Fama, do Poder, do Dinheiro e do Amor. Em sua conquista tudo fazem e nesse esforço, sem o saberem, vão desenvolvendo qualidades de confiança própria, de persistência, de luta, que mais tarde serão aproveitadas num sentido superior. Quanto ao mau uso que agora fazem disso tudo, sofrerão inevitavelmente as consequências, e seus efeitos saturninos far-lhes-á crescer a alma, pela dor.


Muito mais, contudo, fará o que com o mesmo empenho constrói o mundo para servir seus semelhantes dos mais variados modos, administrando os bens e faculdades com perfeita renúncia de si mesmos. Estes crescerão muito e depressa, recebendo, com toda certeza, progressivamente mais, para verter no mundo, os recursos de Deus, pela evolução de Seus filhos menores.

Cuidemos, pois, de avaliar devidamente as coisas e as pessoas. Muitas vezes o vidro brilha mais do que um diamante bruto. Melhor é não nos iludirmos com as aparências e buscarmos em todos "a divina essência que existe em cada um, pois, isto constitui a verdadeira fraternidade". Melhor dizendo, encaremos cada semelhante como irmão espiritual, com suas virtudes e defeitos. Não sejamos servis com os poderosos e superiores nem déspotas e não fraternais com os inferiores na escala social. Tratemos a todos com a mesma franqueza, sinceridade, amor e prudência, cuidando de merecer, por nossa conduta equânime e coerente, a graça de nos tornarmos dignos de sermos "fiéis administradores dos bens do Senhor".
Publicado na revista Serviço Rosacruz, de maio de 1966